Taynná Chaves
Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi. Caio Fernando Abreu
19 de dezembro de 2009
Dias vazios
O tempo todo eu vou estar a esperar, assim como você, porque sempre haverá algo mais a se esperar, e nem sempre as coisas vêm. E tais coisas e tais esperas se acumulam ao longo dos dias e o caminho parece se tornar mais complicado, e tudo parece se tornar mais difícil, e os dias vão tornando-se cada vez mais vagos, exatamente como hoje, e tudo em mim vai ficando espaçoso demais pra que eu consiga tempo pra respirar, e todos esses dias se tornam longos demais pra esses desenganos e eu acordo vendo o céu nublado e a alvorada me castiga e sua ironia me faz sempre mais certa de que o novo dia será vago de novo, e se os dias vagos são difíceis há dias piores, mas os dias piores são lembrados porque a dor sempre nos marca, mas dias neutros nunca carregam nada, nunca deixam acontecer nada, e por isso os considero dias imparciais, dias vazios, sempre dias plásticos, que descartamos assim que acabam, que esquecemos logo que se vão, e eles demoram tanto, na verdade, eles parecem gostar de ver nossa aflição, nossa infelicidade, nossa vontade de dormir todas as suas intermináveis horas, e parecem querer desobedecer ao tempo cronológico, e parecem atravessar as vinte e quatro horas que lhes são propostas, e parecem querer nos acompanhar até que nossa cabeça não mais aguente... E é nesses dias que eu imploro pra que a Lua não queira dormir, pra que ela logo venha e me console, e eu pego no sono e esse sorriso que me vem em mente é desconcertante e ele acompanha uma face, um rosto conhecido, - oh, como é conhecido - uma luz incomoda meu sono e eu rapidamente levanto e a apago, e o resto o sono cuida de tratar, e aquela história longa e desconhecida que dantes ao longe eu ouvia ia ficando pra trás, e parece que uma nova música estava tocando agora, e era suave, e cada nota me deixava clara de que aquele dia imparcial estava acabando. E eu estava bem mais despreocupada do que nunca. E ele não me havia tirado valor algum. E ele não me havia acrescido sentimento algum. E eu continuava apenas eu. E o vazio que aquele dia me trouxe foi levado pelo brilho da Lua que bailava por entre as nuvens pretas que rodeavam o céu. Dias assim sempre viram. E há dias melhores. E dias melhores que hoje... sempre te trarão até mim.
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