22 de março de 2010

Deixe assim ficar subentendido

Somente deixes que as palavras transcendam o limite da obviedade e reflitam a repetição dos fatos em teus pensamentos.

Ontem. Dormi mal novamente afogando dores – provocadas – em lágrimas. Chorei culpando meu coração pelo motivo que me tirava o sono. Desejei unir meus soluços a umas músicas melancólicas e depressivas que há tempos havia me viciado... Mas lembrei que tua existência eliminara as lembranças dolorosas e as músicas tristes se transformaram em canções de amor... E nenhuma das músicas que eu aprendi me satisfariam aquela noite.

Então peguei meu lápis e meu caderno surrado, deitei na cama e tentei escrever pra ti, mas, talvez, era mesmo pra mim... Frustrei-me. Porque não haviam palavras, nem canções, nem inspirações. Só vácuo, o eu e o nada!

E eu esperei demais, a ansiedade consumira minhas limitações e eu me descuidei pensando que era a fórmula! E agora, tento dissuadir meu coração mostrando que ele foi precipitado, criou situações com cabimento nenhum. E por insensatez minha deixei que ele criasse esperanças com isto, contigo; e ele queria ser amado, mas era só um coração cego e surdo, um órgão bobo e imaturo!

O coitado de meu travesseiro consolara meu choro de novo. Um choro diferente, o desconhecemos, perguntávamo-nos que soluço era aquele; e nada foi respondido, não pensávamos, o travesseiro e eu, irracionais.

Anos-luz depois eu despertei meu raciocínio e com cuidado pra não acordar o travesseiro, entendi... Percebi o quanto era óbvio! Percebi que estava triste como sempre, chorando como sempre, faltando pedaços como sempre; mas era diferente dessa vez... Porque era inédito, eu estava triste por você, chorando por você, sentindo falta dos pedaços que estavam com você... Pela primeira vez era tudo por você!

E não eram saudades suas, porque você estava bem ali, mas era a falta de você em você, como se fosse outra pessoa... E quando você não estava, há alguns dias, tudo era tão mais fácil de ver, não tinha ausência; mas agora, quando você está e seus olhos abandonam qualquer lembrança desse lugar, quando só haviam palavras ausentes, olhares mudos e insignificantes, e a frieza tornava os passos em quilômetros de distância... Sem você era bem mais fácil, porque percebo o que é de verdade, e você me vê, despercebe, ignora e transparece tudo na escuridão dos seus olhos... Me toca, me fere, me move.

Agora eu sei que o nós, quando envolve você, é muito indevido; e quando me junta a ti é forte demais... Perigoso demais pra mim.

O que sobra então? A nostalgia daquele sentimento indefinível que você também gostava.

Então vá...

I don't care!

Taynná Chaves

Ps.: "Como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor proporção de acontecer”

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