Descobri que eu não me entendo. E não, eu não posso dizer o que espero de coisa nenhuma porque simplesmente não sei o que quero. Não quero insistir mais nisso, entende? Acho que deveríamos mudar de assunto porque continuar nisso seria burrice minha. Na verdade me constranjo em te dizer que isso passou...
Mas não festeje ainda, a verdade é que eu caí. Não foi de bicicleta, não foi do batente, nem foi topada. A verdade é que eu caí do meu sonho. Eu caí de novo. Acredite.
E sabe, dessa vez eu caí com mais força do que antes, meus curativos romperam, está tudo a mostra, tudo exposto, o vento está batendo naquelas cicatrizes, naquelas que eu pensei que tinham cicatrizado – pensei, porque agora eu sei que não, é que agora mesmo elas estão acesas, bem aqui, e estão vivas, sabe, bem vivas.
E os cortes... Ah, dos cortes eu nem falo. Eles intimidam, cara. Eles estão à flor da pele, Ben. Mas não se preocupe, eu já comecei a costurar tudo, costurar bem, com linhas mais grossas, e eu ainda tenho aqueles curativos que você me deu, ainda tenho aquelas suas palavras, e eu ainda tenho as minhas habilidades. Ben, eu ainda sou craque em fazer as coisas direito, você sabe que eu sempre capricho: espero, me oferto, me apaixono, entro na dança, e danço, eu danço mesmo; e eu amo, ah Ben, eu amo mesmo.
Mas, caso minha arte de perfeição falhe nisso de me curar e esquecer e deixar pra trás, não ligue. Você sabe que eu sei varrer pra debaixo do tapete, você sabe. Se isso aqui abrir daqui a algum tempo, eu vou perder a paciência. E você sabe que eu escondo debaixo da pele, ah nisso eu sou ninja, e o que tem debaixo da pele ninguém consegue ver não, Ben!
Tá tudo dolorido aqui, mas a blusa esconde, eu nem tô com o casaco que você me deu, mas ninguém tá vendo os cortes e as feridas e as cicatrizes abertas... Tá tudo escondido, cara!
Mas hoje – hoje mesmo – eu estava escutando umas músicas tristes, porque você disse uma vez que dor só dói quando tem uma música triste tocando. E eu aprendi bem, escutei umas vinte, Ben, umas vinte! Daí eu fiquei bem mal, tomei um café e um solo de violão começou a tocar, e eu nem lembro que música era. As lágrimas começaram a escorrer.
Mas então uma voz – não sei se do além dos meus amores, não sei se do quintal das minhas esperanças passadas, não sei se do meu passado, não sei se da cafeína, não sei se dos meus sonhos – me sussurrou no ouvido: O que é isso Rachel? Tried again! Não está tudo perdido, você não está vendo as estradas? Você vai deixar as coisas pararem por aqui? ‘E esse coração acomodado ai no peito? Use-o, ora bolas’! Você vai empacar Rachel? E então eu parei de chorar. E eu levantei. E eu... Eu tô sorrindo Ben.
A voz? Ah, da voz eu não sei de onde veio, não sei de quem era. Era sua? Eu não sei! Tenho quase certeza de que era de Deus porque eu olhei pra janela assim que eu ouvi o meu nome, e advinha? Tava chovendo Ben. Mas não sei. Mesmo não sabendo eu prefiro acreditar que foi Ele, eu prefiro acreditar que Ele tá me vendo!
Fora isso. Nada de novo, nada importa, porque uma vez você disse pra mim que fora o amor não importa mais nada!
Fique bem, muito bem e se cuide, você, Ben.
Da Rachel.
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