Eu não quis aprender nenhuma lição, eu não estava pronta pra encarar nada, eu não tinha peito pra agir certo em nenhuma das situações, nem queria deixar meus sonhos, nem queria abandonar meus amigos imaginários, nem minhas concepções infantis, nem minhas atitudes de criança; eu não queria deixar minhas coisas pra trás, nem minhas bonecas sozinhas, eu não queria ter que ver que o mundo não é o que eu pensei, não queria ver as verdades assim na minha cara, eu não queria crescer...
As coisas mudaram e eu estou aprendendo. Estou criando imunidade, adquirindo forças dos lugares mais escondidos e singelos que já pôde haver dentro de mim. Estou respirando em meio a isso tudo, a essa poluição, estou mantendo o ar, estou sobrevivendo. Esperando a poeira e o vento chegarem, estou esperando que as ondas batam e levem isso. Convicções não poderão mais me punir ou me castigar com as dúvidas de outrem.
Eu sei que o que eu sei já me é suficiente! Sem incertezas nem ilusão nem sonhos nem pensamentos nem imaginação que me levem a achar um ponto ou um sinal de negatividade nisso. Nem ódio nem mágoa nem marcas. Nem arrependimento nem rastros. As canções não vão dissuadir minhas certezas nem minha imunidade.
As frases que eu encontrei em uma daquelas agendas antigas - em um daqueles diários secretos – se encaixariam perfeitamente aqui, a mim e a você. Mas faz parte do processo ter que privar-se de tudo que queira se aproximar das barreiras com o intuito de removê-las ou de tocá-las ou de burlar as regras.
As asas quebradas criam impulso depois de alguns dias, me disseram. Verdade. Daqui a pouco elas vão se mover, elas precisam de um tempo – assim com eu preciso. Mas elas vão cansar de ficar paradas e vão levantar voo de novo. Você vai ver, é só esperar. O tempo vai cuidando do resto!
Minhas roupas já estão secando ali fora e meus pés estão calçando-se, está tudo se encaixando e as coisas estão se tranquilizando, voltando à rotina e à normalidade. E isso faz parte do processo, errar e cair e se machucar. Qual é? Isso é normal! Qualquer pessoa sabe que viver exigi riscos e eu sei aceitar isso. Mas as coisas mudam, as dores passam e as feridas fecham, e então vêm outras e outras. E as pessoas que hoje são muito amanhã já não serão nada. E as pessoas que hoje se foram amanhã serão noticiadas de que houve e sempre há de haver outras pessoas. Um dia após o outro e assim por diante.
E as lições que aprendemos é o que fica, e ficam juntos os sorrisos e os abraços e os cheiros e as cores e as vozes e os gestos e as bobagens e a história...
Tudo um dia vira luz!
-Taynná Chaves
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