19 de julho de 2010

Teatro de Marionetes

Para Williany Barros.

Não é ironia, é muito bom te ver, estou surpresa, mas nenhum pouco assustada, o que houve com seu encanto e seu efeito sobre mim? Talvez eles não funcionem mais, ainda estou inteira ó: pernas presas ao chão, pulsação perfeitamente normal. Meus olhos distantes de sempre, agora fixos em você, mas não acontece nada, eu não sinto nada.

Não se engane, por favor, não me engano, não quero dizer nada com isso, só deixar claro que hoje não fez a menor diferença, as coisas estão no mesmo lugar, as pedras empilhadas, as emoções trancafiadas, as lembranças longes, sem sinal ou sombra de dor.

Não é ironia, é muito bom ouvir tua voz, o teu timbre soando nos ouvidos, essa imensa falta de emoção que eu sinto, a sua presença provocava tanta coisa em mim, você sabe, não é? O quanto me afetava? Acho que aquele encanto todo se acabou, lembra dele, não é? Acho que ele cansou, acordou e quebrou. É. Assim: D-O N-A-D-A.

Se ainda sou eu? Ora, que pergunta é essa? Mas é claro que sou eu. Uns dias não me fariam esquecer tudo, é claro que não. Ainda sou eu, não mudei nada, nadinha. Quem mudou foi você! Cê tá acabado, cara, sem poderes nem efeitos sobre mim, não restou nenhum fio preso, estou solta, livre, como você poderia continuar sem sua marionete preferida? Era óbvio que você ia falir!

Não desista ainda, por favor, seja forte, não desisto. Você fazia isso tão bem, como perdeu seu dom tão fácil assim? A culpa não é minha, o que está querendo dizer? O erro foi seu, você quis o lucro e o bônus pra você. Fui embora por mim, você tinha muitas outras marionetes e fantoches, podia se virar sem mim, e se virou, faz tanto tempo que fui embora e você só notou agora?

Não é ironia, você ficou pior sem mim, estou surpresa, mas não tenho nenhum pingo de dó.

Taynná Chaves

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