3 de setembro de 2010

Joaquim, o bolha.

Não vou deixar que isso me toque, dizia confiante, dentro de seus muros estava seguro, nada o abalaria. Pelo caminho, espinhos, pedras e vidros tentavam o parar, ultrapassar, até mesmo o romper. Mas seu material era resistente, forte, grosso, impermeável&impenetrável.

Dentro de seus muros plásticos seguia em frente e nada o detém. Sua bolha, tudo que importava, tudo que ELE julgava importante estava dentro dela. Ele, Joaquim. Era alegre, vivia sorrindo, estava em paz com a natureza, com Deus, em sua bolha respirava ar limpo&puro&branco. Mesmo podendo correr pelos campos, nadar pelos rios, voar pelos céus estrelados, preferia sua bola fria e úmida, estava bem, dentro de seus muros, seu mundo. Limitava-se a tudo.

Saiu de casa, deixou a porta escancarada, a mala estufada de coisas, sonhos, cores, desejos que nem mais sentia, lugares onde nem mais iria, daí deixou também as pessoas. Entrou na bolha, mas a mala não coube, ficou aberta na portinha de entrada, e ao longo do caminho as coisas iam caindo, os sonhos morrendo, as cores apagando, virando cinza, os desejos se perdendo, os lugares esquecendo, e as pessoas? Encolhendo.

Com a mala aberta ele esqueceu que isso, também, cairia. E isso valia mais que todo o resto que caiu, morreu, se perdeu, esqueceu. As pessoas. Ele esqueceu. E não, as pessoas não se sentiam desprezadas, esquecidas ou deixadas por causa disso, elas só queriam que algum espaço se abrisse, queriam um buraco naquela casca.

Um buraco que não abria, mas mesmo assim, eles não o deixavam. Talvez não tivesse percebido, mas tinha passado por cima das pessoas um milhão de vezes, as pisado, maltratado. Mas não ligava, por que ele sim-ples-men-te não percebia, não ouvia os ais porque estava entretido demais com a bolha e seus enfeites coloridos. Mesmo assim, amassados e encolhidos. Eles insistiam, doía. Mas aceitavam.

T.C.

- Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso. - Fernanda Young

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