13 de agosto de 2011

Simple Past

Era bom existir em alguém como eu existi em você. Você que me sorria no fim do dia, mesmo quando eu já não tinha paciência, força nem maquiagem pra sorrir de volta. Você que acompanhava o curso da minha vida tão de perto e nunca sufocou; que leu minha vida e quis que o mundo conhecesse o que você tanto esmerava. Você que tanto guardou meus textos e bilhetes e recados com tanto amor e agora se vê e se lê em cada linha que escrevo.
Foi bom ser motivo do seu sorriso durante tanto tempo, foi bom ter você por perto pra ouvir cada risada e cada silêncio meu. Você que sempre esquecia que tem que me dar um pedaço do que você estiver comendo, mesmo se tiver me comprado um igual; você que presenciou tantas e tantas guerras minhas e continuou com a camisa com meu nome, e continuou torcendo por mim.
Foi bom ser a primeira pessoa a receber uma carta sua, e aquela sua foto linda, com você pequenininho e com roupa de mulher, mas com um sorriso irresistível. Você que atendeu o celular mesmo conversando comigo no msn só pra me escutar dizer que ouvi a música que você pediu, e eu sei que no fim das contas você gostou de ter ouvido minha voz de novo, e gostou de me sentir perto de novo. Porque você soube que eu gostei também.
Foi bom ter casado e des-casado de mentirinha com você tantas vezes e continuar sorrindo e morando na casa dos nossos pais no fim do dia. Você que eu citei tanto nas páginas da minha agenda secreta e, ineditamente, deixei ler. Você que topou pintar o desenho do Bob Esponja porque era comigo e porque era pra mim. Você que mesmo depois de tanto tempo continuou com a história de olha, tá tocando a nossa música! Você que consegui realizar um pedido da minha lista de coisas-a-realizar e ganhou um vale pode-me-pedir-o-que-quiser-durante-24-horas e nunca usou.
Foi bom ter gostado tanto assim de você. Você que já se foi e talvez nem se emocione com mais nada que eu citei. Foi bom enquanto você era o meu você.

Taynná Chaves

17 de julho de 2011

RE-cativar

O casulo pouco a pouco vai abrindo, ponta da asa aparecendo, tintilar mágico, risada de fada, fim do arco-íris.

Expecto Patronum! Mais um ciclo negro se fecha e as cortinas abertas deixam ver o horizonte pintado à mão: o sol se pondo, as ondas quebrando, tudo muito azul, brisa fria tocando o rosto, cabelos ao vento escorrendo pelos ombros.

Seus braços de repente envolvem minha cintura e ao pé do ouvido você diz que sentiu tanto a minha falta. As pernas bambas, o coração disparado, as galáxias se ofuscando com o brilho dos nosso olhos. Você tem me feito bem, me feito feliz, again. Que seja doce.

Taynná Chaves

16 de julho de 2011

ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria você ah se ousássemos.

Caio Fernando Abreu

Restos. Retalhos. RE-tardos.

Meu coração vai batendo devagar como uma borboleta suja sobre este jardim de trapos esgarçados em cujas malhas se prendem e se perdem os restos coloridos da vida que se leva.
- Caio Fernando Abreu

E dói, ainda que eu não possa ficar mal, está machucando. E cada vez que o coração bate a dor entra com o espaço. Não quero moleza, distrações, quero o que perfura, o que rasga. Por inteiro. Você reclamava quando eu sentia só a superfície do que você me dava por completo? Então. Eu quero fazer tempestade agora.
Vai ficar tudo calmo, después, agora deixa a poeira baixar, deixa eu vais mais isso pra debaixo do tapete, deixa passar a vontade de te dizer que isso de querer e des-querer tá me desgastando, ok?
Quando o vento soprar essas dores pro Norte eu vou lembrar de você, nos dias frios quando a chuva molhar meu rosto de leve e o vento ecoar teu nome em meus ouvidos.
Quando o sol estiver a pino e eu não tiver companhia vou querer tua proteção, tua direção, tua mão na minha.
Quando a tarde for indo embora e o sol for abaixando enquanto todo o peso do mundo cai sobre meus ombros, eu vou querer ombro pra me encostar e teu sorriso pra massagear minha alma cansada de tantas queixas e quedas.
Entre acessos de raivas, sono, conversas vazias, pessoas vagas, relacionamentos incompletos, sonhos que não se realizam e no-fim-dá-tudo-certo que não chegam nunca, eu quase esqueço que você disse que íamos até o fim. Lembro a tua voz, a fraqueza bate feito brisa e sinto que preciso da sua mão me segurando uma vez mais.
Taynná Chaves

15 de julho de 2011

toc toc, escuridão.

Eu não quero muito, já disse, só quero seu ombro pra encostar a cabeça no fim desses dias de cão, só quero seu colo quente pra deitar e esquecer o quanto o mundo fica ruim sem vocẽ.
Lembra quando você me disse que ainda tinha muita flor pelo caminho? É verdade, tem flor, tem cravo e tem espinho.
Nessas tentativas frustradas de te encontrar em outro corpo qualquer eu acabo perdendo ainda mais. Me perdendo de mim, de ti. E você menino mistério a cada dia mais silencioso se afasta e entra de novo no seu mundo subterrâneo de portas e janelas lacradas pra qualquer tipo de luminosidade, ou amor como diziam os antigos. E eu iluminando escuridões de mentira, fantasiando emoções de papel.

Taynná Chaves

14 de julho de 2011

Pra mim é tudo ou nunca mais

Estamos vivos e é só.


Não vai adiantar, eu não tenho mais forças pra correr de um lado pro outro esperando que as respostas caiam do céu, eu não tenho mais criatividade pra criar sonhos e discursos brilhantes e não tenho mais o fôlego nem os pulmões de antes pra correr quilômetros a sua busca e ter todas as falas e palavras na ponta da língua e as emoções contidas ‘inexpressas’ numa canção que não para de tocar e você me olha como quem andou e andou e andou e não cansou e ainda quer dançar, meu amor isso eu não faço, eu não posso entrar nas coisas assim: sem me preparar, não posso nem te olhar se não me preparar antes. Por favor, não pegue no meu braço assim, não me olhe dessa maneira, como se tivesse autoridade nos meus passos, as cordas estão cortadas há tempos, você esqueceu que está tudo acabado entre nós? E essa música, olha nem dançar eu sei mais. Se eu ainda pudesse fingir que te amo, ah se eu pudesse, mas eu não quero e não devo fazer. Sim, eu gosto da Caymmi, a música é linda também. Não meu bem, ela não quer dizer nada, não tem volta pra nós, as passagens foram tão caras não é mesmo? E nós só tivemos dinheiro pra ida, não tem volta. Eu sei, é primavera e a gente bem que podia tentar dar uma chance pras flores, mas é pras flores, isso não te inclui, você não é flor, você é espinho, meu amor. Não adianta, você não vai mudar do dia pra noite, você não mudou porque pessoas não mudam. E estou muda e estou suja por estar te ouvindo mentir por tanto tempo ao pé do ouvido, essas mentiras não colam mais, esse teatro não vai mais impressionar, muda esse discurso ou as pessoas vão notar, não, eu não quero mil rosas douradas, o amor inventado que o Cazuza fala não é esse amor falso que você quer me dar. Você não vai me impedir de ir embora é melhor soltar meu braço, eu vou gritar, vou gritar pro mundo os horrores que você me fez passar, vou dizer em baixo e tom cruel no teu ouvido todas as noites em que eu te procurei na rua, na lua, nas cartas, nas fotos e nas músicas o teu rosto e eu não te encontrei porque você me deixou sem mais nem menos. Você não se importa? Então tá, então me deixa segurar nas tuas mãos e te abraçar com força pra você ver que eu posso te cuidar melhor que ninguém, deixa eu te olhar nos olhos e te fazer sorrir até doer a barriga, deixa eu te mostrar como o pôr do sol fica bonito da janela lá de casa, deixa eu te embalar no meu corpo e na minha pele e no meu calor pra você dormir e sonhar com as coisas bonitas que você sempre me diz acreditar, me deixa no fim dizer que eu te amo como nunca amei ninguém, me deixa dizer que eu vou cuidar de você até o fim? Não, você não ia aguentar, não é? E você ia derreter esse gelo, essa pedra, esse coração fechado pra verdade, pro amor? Você não quer isso, me deixe ir. Obrigada.

Taynná Chaves