Perdoar é pensável, doloroso; ressentir-se, porém, é algo fácil, significativo, porque você cria expectativas de tudo, projeções do que você gostaria que fosse verdade, e nem sempre isso acontece e... Eu simplesmente não sei explicar o que é perdoar, porque ainda não consegui entender porque as coisas se tornam tão independentes. As coisas mudam com o tempo e você nem sequer vê como isso pôde acontecer; e o espírito pesa e o seu coração se esvazia rapidamente, e você mal consegue pensar, é mais fácil se deixar afetar, deixar a dor se espalhar, matar aos poucos, me levar rapidamente... Porque resolver com sinceridade é sempre mais doloroso e me deixa sempre mais desgastada, e não é novidade nenhuma saber que eu vou travar no meio da fala e começar a chorar toda boba, é muito mais difícil pra mim tentar conversar e me explicar a ficar magoada e sofrer, somente por já ter sido acostumada a ter perdas constantes, a ter que superar tantos obstáculos, e estar magoada grande parte do tempo... Mas quando os dias passam, eu percebo que as minhas lágrimas que interrompem a fala, só me deixam mais infantil, e minhas palavras nunca vão de fato me deixar mais esperançosa porque tudo depende de quem vai me ouvir, e eu não faço nenhum esforço pra que a pessoa se deixe levar nas minhas palavras porque eu também não sei onde até onde elas podem chegar, e sei que meu maior medo é deixar que elas me descubram sensível, como agora, e que me levem a permitir que os deixe entrar, que me deixem mostrar o que sou de verdade, e meu medo é tornar-me uma pessoa comum, uma pessoa sem segredos, sem proibições, alguém destemida, e eu sei que perder meus medos é um dos maiores obstáculos - senão o maior – pra mim, e eu sei que um dia eu vou ter que enfrentar cada um deles, e eu sei que há quem não acredite em todos os meus medos, nos medos mais infantis, e eu sei que não é neles que eu penso quando estou frente a descarga no meio da madrugada – eu tenho medo de descarga sim e daí? – ou quando estou sozinha com um monte de bonecas no meu quarto, e talvez até quando Bito, aquele cachorro de tia Donza, se aproxima – que horror gente - e eu sei que existe alguém por quem eu enfrentaria todos os meus medos, por quem eu faria todas as coisas mais insanas sem pensar, por quem eu perdoaria seja lá quem for, e eu até dormiria abraçada com um urso, e até daria descarga de três da manhã, eu abraçaria Bito – eu faria sim! – mesmo sabendo que nada eu ganharia em troca, mas eu faria tudo – eu disse TUDO - por essa tal pessoa!
E eu até já sei que devo perdoar, e amar seja quem for... E eu sei que nada será tão fácil, mas eu vou tentar me tornar uma pessoa destemida no próximo ano, e eu vou tentar deixar um espaço nesse meu coração tão magoado e deixar que alguém o ilumine de novo, deixar que Deus tome a frente e daqui em diante a minha vida seja menos comprometedora, e eu vou sim, ser alguém comum, alguém assim como você... E eu sei que você espera por alguém que te faça rir até mesmo por mínimas coisas... (8) Alguém como eu... Somebody… (8)
E meu ódio tão feio e inconsequente deixa até uma brecha de luz pra que eu te perdoe de novo...
E de novo...
E de novo...
E me dá mais uma chance de dizer – de novo -: - Ah, como eu te amo, meu bem... ^^
Taynná Chaves
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