28 de dezembro de 2009

Tamyres Sales

Eu sei que muitas das coisas de que lembro já devem ter sido esquecidas por você, instantânea ou provocadamente, a mente geralmente trata de apagar as coisas mesmo as que não permitimos... E agora eu vejo que as nossas atitudes e pequenas decisões se tornam muito grande em relação aos sentimentos, em relação ao resto do mundo! Tudo era - talvez nem fosse - muito simples quando éramos crianças!

Lembro-me das vezes que, na igreja, tirávamos nossas sandálias e dançávamos sem se importar com quem estava nas cadeiras nos olhando, - era muita unção porque hoje eu não faço isso nem a pau - ; lembro-me das noites de sexta-feira que reuníamos a panela dos palhaços – lembra daquela pizza pregada que agente comeu porque só tinha cuscuz e fígado? - Lembro-me dos dias de aulas do seminário, lembro-me de todas as conversas, de todas as vezes que você levava os livros pra estudar pra prova do dia seguinte e acabava não estudando pra nada, lembro de todas as pipocas Karintó que comprávamos nos intervalos; lembro-me do Can-Can; lembro-me da noite que fomos procurar Alex em plena Micarande – foi Micarande? – depois da igreja e andamos um tempão pelo meio de um monte de gente e acabamos nem encontrando ele nem nada; lembro-me daquela noite na sua casa, o álbum do ECC, suas vizinhas atacadas, sua televisão e a imagem terrível, aquela antena incrivelmente ruim, as cartas e recordações de seus amigos de classe...

E eu lembro o livro que emprestei pra uma fulana que nunca mais me devolveu, lembro também que essa mesma fulana – Tamyres - pegou um caderno roxo com o Piu-Piu na capa pra escrever e nunca mais me devolveu, mas agente supera...

E sabe, fulana, o tempo passou pela agente e nem ao menos fizemos esforço pra não deixá-lo nos separar, você ficou com o gloss e eu fiquei com o All Star, você trocou de amigos e eu também troquei, você mudou seus hábitos, você mudou a sua personalidade, e chegou um tempo em que eu passei a desconhecer quem eu olhava, quem eu admirava, e seu sorriso foi se perdendo em meio a sorrisos desconhecidos e eu percebi que nada traria a amizade de volta... Mas sabe de uma coisa? Mesmo com tudo tão diferente, eu sei que aquela menina que eu conheci há alguns anos ainda vive ai dentro, ela só tem medo de sair, e no fundo, ela ainda lembra tudo que ela gostava, de todas as cores, de todos os rostos, de todos os sons; e a menina que eu fiquei um culto inteiro dentro do carro por causa de uma dor de cabeça, deve saber hoje que mesmo com tudo que aconteceu ela continua muito importante pra mim, e tudo que vivemos continua muito vivo em mim, mesmo os nossos mundos sendo TOTALMENTE diferentes...

Você vai ter sempre o meu ombro pra chorar, amiga, você vai sempre poder contar comigo, prometemos um dia nos batizarmos juntas – e no dia estávamos em pé em cima do púlpito olhando pessoas felizes receber o que esperávamos tão ansiosas pra receber também, e no melhor dia - e no nosso DIA MÁGICO - você estava do meu lado perguntando se eu ia rir na hora, meu Deus e eu pensando que ela tinha juízo! - e assim aconteceu, nosso batismo foi no mesmo dia e – detalhe- eu não fui a última da lista, e acabamos, acidentalmente, cumprindo nossa promessa... Mas nem todas as promessas de crianças são mesmo cumpridas, e aquela conversa de amigas para sempre nem sempre é verdade porque agente promete (8)Sem saber que o pra sempre, sempre acaba. (8)

E as minhas palavras começaram a acabar, mas agora nós somos mais que antes Anastácia – querida- nós somos irmãs em Cristo e o tempo ás vezes muda as coisas sem que tenhamos muito controle, mas apesar de todos os pesares eu nunca vou esquecer todas as coisas sem sentido que fizemos. E espero que você não ache isso muito bobo porque eu só quis ser sincera e apesar de você ter raptado meu livro - Pra quê tanta pressa de crescer? - eu ainda gosto muito de você, e eu me lembro ainda de tudo que passamos – tudinho- de todas as promessas infantis, de todos os enfeites de cadernos lilás, e de todos os seus apelidos, eu me lembro de tudo... E você lembra? Eu sei que lembra...

À – Barbie – Tamyres Sales, por me lembrar que velhos hábitos nunca morrem.

Que amizades e sentimentos – em mim – nunca acabam.

Tá dedicado Anastácia querida. xD

Taynná Chaves

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