Cada dia traz um acorde diferente e um verso novo vai completando a canção, cada lembrança preenche um desejo; um dia de cada vez, um passo por dia, um tijolo após o outro, formando as barreiras de novo. Em vão ou não é uma rotina, um círculo vicioso existente entre o espaço das vontades do coração e a última gota de sanidade que se consegue guardar.
E por mais que se construa árdua e dolorosamente as barreiras, sempre haverá alguém que irá quebrá-la e nem sempre se pode impedir que invadam os territórios, desfaçam as regras, acostumem os corações com uma presença que é passageira; e quando tudo se ajusta a nova presença os muros são automaticamente demolidos porque já não existem motivos para estarem erguidos, o perigo já o havia ultrapassado, e por estar tão entretido nem se vê quando eles caem, simplesmente caem, e a presença que há pouco era tão benéfica se satisfaz tanto com a bela imagem dos muros e proteções rompendo e caindo e se desfazendo que faz questão de ir embora logo depois disso, porque sabe que sempre estará presente nas ruínas daqueles muros antigos, sofridos e agora inexistentes.
E logo trata-se de reconstruir toda muralha, repor o que se deixou levar, esquecer de lembranças tão presentes, ter a felicidade enterrada porque apenas ela pode sustentar o muro, e demorar um bom tempo tentando encontrar base e chão suficientes para se firmar e se prevenir contra novas invasões.
E quando tudo está pronto, todos os tijolos enfileirados, todos os alicerces firmados, os dois pés fincados no chão, a cabeça no lugar... Aparece alguém com um sorriso bonito, com palavras impressionáveis e discursos ensaiados e os muros caem novamente...
Mas tudo é questão de querer! Depois de um forte abalo percebi que tudo é questão de escolha, a base somos nós, a escolha é nossa, defender seu território, se cuidar, decidir quem entra e quem sai... Tudo depende de nós, os muros são nossos, os alicerces são nossos, a cabeça pode estar nas nuvens mas os pés devem permanecer no chão.
Assim, talvez não haveriam motivos pra querer esquecer passados porque no mínimo se agiria certo, de um modo que nos envolvêssemos menos, nos entregássemos menos e sorríssemos mais quando tudo acabasse. ‘Enfeite seu jardim ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.’
-Taynná Chaves
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