24 de maio de 2010

“Meto-me pra dentro e fecho a porta.”

Tudo está muito plástico por aqui e quando minhas esperanças se acabam e a noite chega ao fim e nada tem acontecido, nem a lua aparece nem deixa vir o sol. E meu sono nem chega nem me faz menos cansada. E eu nem sorrio nem choro, e nem sei nem desconheço nada aqui. E penso por um instante que é só isso mesmo: ‘a vida se repete na estação’. E por um segundo me pergunto se vale a pena ter chegado até aqui e estar sentindo nada, só o vazio.

E então encontro forças dentro de mim, no lugar mais intimo e confiável que me restrinjo tanto em admitir que ainda tenho; dentro das minhas emoções mais antigas e empoeiradas; nas minhas palavras mofadas e cheias de sentimentalismo; nas músicas que mais me definem e me resumem e então lembro o quanto me satisfazia ouvi-las tocar em último volume quando eu queria ter o silêncio em meus pensamentos, quando eu queria pensar em nada...

E nos intervalos das músicas felizes que tenho escutado percebo o quanto as coisas mudaram e sei que querer esquecer as coisas que passaram é inevitável porque uma voz me sussurra: você é péssima em esquecer passado, lembra? E, puffs, eu sei que é verdade! E não me envergonho nem me repreendo por isso, de fato acho impossível esquecer tudo, seja bom ou ruim, ‘meu passado não ficou no passado’, o que passou ainda define o que se é hoje porque se nada do que aconteceu houvesse acontecido eu muito provavelmente eu não teria opinião formada em diversos aspectos entre felicidade e dor, e muito provavelmente eu não chegaria a conclusão de que Deus é fiel ainda que eu não mereça; de que família é porto seguro; que o pra sempre, sempre acaba; que os amigos que são realmente pra sempre nunca dizem que são; que os amores e as dores fazem parte, que nos aumentam, nos crescem, mas ‘são tudo pequenas coisas e tudo deve passar’, e que –oh!- graças a Deus passam. Aprendi que ouvir ‘Because of you’ de madrugada tomando café e comendo chocolate faz um bem danado pra pele e pro coração/pensa; e o mais importante de tudo que aprendi foi saber que a vida sou eu quem faço, o mundo é como eu quero ver e se ele fica ruim ás vezes a é culpa minha, por deixar as lentes embaçarem...

E que aqui da minha janela é tudo mais bonito, muito mais bonito, e toda noite é de luar, e toda carta é de amor, e toda música é pra dançar, e todas as lágrimas são de felicidade, e todo céu é azul, e todo amor – como deveria ser em todos os lugares - é verdadeiro, e todas as risadas se acumulam se propagam ecoam cantam dançam e são felizes junto com a canção, e estão todos lá, todos de quem eu mais preciso pra sorrir e ser feliz de verdade:

Então me abraça forte

Me diz se já estamos distantes de tudo

Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo...

Mas, se você quer mesmo saber... Não. Não me sinto nem um pingo hipócrita por isso. Como disse a Bo: Afinal, eu não sei mais inventar amor, mas ganhei a chance de gritar pro mundo que o meu coração está batendo e eu estou muito bem aqui.

Eu sei o que existe lá fora, eu sei da violência, da fome, da morte, da dor, do desemprego, do mal, das músicas ruins, das mentiras, dos fracassos... E depois de tanto tempo me deixando influenciar por isso, eu me sinto imune e mais nada me corrompe, me corrói ou me atinge.

E como disse o Fernando: a realidade não precisa de mim. Eu fecho os olhos e mais nada interfere ou me impede de sonhar!

# Desculpe estranho, eu voltei mais puro que céu! :*

-Taynná Chaves

Nenhum comentário:

Postar um comentário