Roia as unhas. Rabiscava os guardanapos em cima da mesa. Arrumava os cabelos. Sorria pra mim e me convidava pra sentar. Tinha voz doce, rosto angelical. Uma flor. Um doce.
Catarina não sabia disfarçar, não sabia mentir, nem fingir; só sabia sentir.
Catarina me amava, outro dia descobri que eu sei: ela me amava.
E Catarina, quando me via. Ah... Suas mãos tremiam, suas mãos suavam, elas sorriam, me seguravam.
Eu a segurava forte, seu sorriso me abraçava, seus olhos cegavam de tanto brilhar, seu coração batia tão forte que o sentia trepidar por todo meu corpo, decodificava sua pulsação acelerada, suas palavras entrecortadas pelo nervosismo. E sua fragilidade tão óbvia expressa nas suas declarações, nas suas saudades, nas suas promessas não cumpridas, na dificuldade que ela tinha em ter que se afastar dez centímetros de mim.
Catarina me amava.
Catarina tinha medo, mas eu não sabia. E o que sentia era grande demais pra caber lá dentro, acho que por isso ela gostava que eu a segurasse, era peso demais pra ela. Mas eu não sabia. Catarina não me dizia. Catarina só sentia. Eu queria saber dela, mas ela não dizia. Fugia, sem conseguir. Depois voltava. E corria. Corria pra mim.
Mas nunca dizia.
Catarina nunca dizia o que sentia. Só sentia. Sentia só-sozinha.
- John...
Taynná Chaves
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Afinal de contas, o que nos trouxe até aqui
Medo ou coragem?
Talvez nenhum dos dois.
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