6 de junho de 2010

João II

- São duas da manhã, e eu não consigo dormir.

- O que houve?

- Sei lá... Uma dor tá me incomodando muito... Acho que eu tô amando, João...

- E tem cura?

- Tem. Duas doses de presença.

- Você não vai melhorar, vai?

- Não.

-

- Como é sentir esse troço... O amor?

- É que não tem explicação. Como disse a Adriana: amor é um exagero... João, agente foge e corre e discorda e ri e não quer... Mas de repente: olha lá ele entrando no seu coração e mudando sua vida e te fazendo sonhar acordado e sorrir do nada. O amor chega e é só. Ele não pede permissão, João, ele entra e pronto.

- E como é que é amar? Tem cheiro, tem cor, tem som?

- Ah, João... Amar tem cheiro de flor, tem cheiro de chuva, tem cheiro de mar. Amar tem cor de céu, tem cor de luar. Amar tem som de chuva quando cai, tem som de vento que dá e passa, tem som de samba cantado no ouvido, tem som de beijo, tem som de silêncio, de risada alta.

- Ah...

-

- E o amor... Ele tem gosto? O amor, ele tem gosto de lágrima?

- Não, João.

- E por que quando as pessoas amam elas choram?

- É por que ás vezes as pessoas sofrem, João. É por isso.

- É por culpa do amor não é, ele dói não é?

- Não, João. O amor não dói. O que dói são as pessoas.

- Eu não quero amar não. Eu não quero esse troço não.

- O amor é bom, João. Ele é bom...

- E por que você não está sorrindo?

- É que ás vezes você dá amor e não recebe. É que o amor é uma troca, João.

- Ah, mas eu não quero isso não.

-

- Sabe, João. Um dia, você vai ser o cara mais feliz do mundo, e ai, você vai descobrir o nome disso...

- O quê?

- Advinha João!

- O amor!

- Taynná Chaves

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