27 de junho de 2010

Nenhum vento te trouxe agora

Me mostre quantos caminhos de fato existem porque não vejo nada. Faltou luz. Estou ficando sem ar. Não existem mais pessoas solidárias. Ninguém ajuda mais ninguém. Estou perdida. Não sei até onde essa estrada continua. Nem sei pra onde estou indo. Estou sem rumo. Está escurecendo. Eu tô sozinha. E você não está aqui.

Sabe aquela culpa? Aquele peso na consciência? Aquela vontade idiota de ah, se eu pudesse voltar no tempo e fazer tudo diferente? Sabe? Essas coisas, elas pesam, não é? Pesam. E essa falta aqui dentro? Esse oco? Esse buraco? Esse vazio? Você poderia pelo menos aplaudir meu bom desempenho? Eu ainda tô respirando com tudo isso nas costas. Dá pra acreditar? Tô viva, cara.

Isso é normal, dá e passa. Eu vou tomar um café bem forte, ler um daqueles livros de auto-ajuda que tomei emprestado, assistir qualquer besteira na TV... E quando a chuva começar a cair, por puro instinto eu vou sair e olhar pro céu e ver a lua. E é impossível não lembrar você. E quando a lágrima cair eu vou ficar olhando o céu negro com os cristais caindo. E a essa altura o frio vai incomodar e eu vou entrar e deitar na cama. E tentar esquecer isso. Pensar em qualquer besteira até dormir. E no outro dia vai ser a mesma coisa. Afinal de contas, a essa altura é tudo sempre igual mesmo.

Taynná Chaves

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... me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. Caio Fernando

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