31 de agosto de 2010

Meu bem

Se penso em você, não diga nada.

Nada mais há que possa-se fazer.

Se ligo a TV, aumento o som, viro pra dormir

Na mente você me vem, meu bem

Se amo você, por favor, não pense nada.

Nada mais há que possa me fazer mudar

Eu penso em você, ouço sua voz, vejo o seu olhar

Você nem está mais aqui, os outros poderão dizer.

Mas sei que estás aqui, bem aqui: dentro de mim.

Em cada verso, em cada sussurro, em cada lágrima

Que cai e me faz companhia quando é o silêncio que ouço.

Me diga o que há de se fazer, não por você, nem por mim

Mas pelo amor que se perde aqui,

Que se há de fazer por nós dois, meu bem?

Nada mais resta,

Quero você, nada mais que isso

Sei onde é meu lugar, quero ocupá-lo

É do seu lado, meu bem, do seu lado

O meu lugar é do seu lado!

Não quero saber de tristezas eu quero você bem feliz

Não quero pensar no amanhã, hoje já basta pra mim

Não vai agora, por favor, fica aqui.

Fica bem, meu bem.

Fica até que tudo perca os sentidos e só presença seja preciso.

Fica. Fica aqui comigo.

Taynná Chaves

Você me faz tão bem

Para Karolina Borges Nunes

Estamos com fome de amor cortês, num mundo em que tudo perdeu aura. - Arnaldo Jabor

Agora é mais fácil. Descobri. Agora que estou longe do perigo vejo que as coisas não vão cair enquanto estiver aqui. Estou distante das coisas que me incomodam, o vento tá calmo, as pessoas despercebidas e eu estou pronta: sempre estive, ora essa. Não estou esperando por nada, não se engane, please, não te engano. Estou bem. Bem feliz, bem pra cima, bem vital. Aqui nesse calor, nessa atmosfera toda de calor-humano, de amor, compreende? Estou muito bem. In peace.

Quanta futilidade. Barbaridades a parte. A violência se espalhando e ficando cada vez mais perto. Se instalando aos poucos entre os poucos-bons-sentimentos-que-restam. O mundo anda tão hostil, o amor anda tão vulgar, coisa fácil perceber. Ando tão assustada, o andar da carruagem só indica a piora, as coisas tomando o lugar das pessoas. O amor está em crise. Descobri.

Mas hoje, exactly hoje, revirando diários, folhas rabiscadas, letras ilegíveis e confissões/declarações horrendas, encontrei escrita em Rosa-Pink (gritante) uma citação de Caio(Fernando Abreu): “Eu sempre acho que cansei de ti, de mim, mas ai vem o amor e revigora”. Citação perfeita(frise: PER-FEI-TA). Mas que nunca tinha me ocorrido tão bem.

E agora, right now, eu sei que vai ficar tudo bem, vais ver depois. O universo tá conspirando ao nosso favor, baby. E você concorda com isso, em todos os aspectos possíveis. Seus braços me envolvendo, o mundo acontecendo em volta e eu muito bem, MUITO-BEM, entende? Com o pensamento fertíssimo durmo que seja doce!

Taynná Chaves

Heitor II

Hey, my dear

Da primeira vez que você partiu, partiu também meu coração. Levou consigo a lua, as estrelas, as flores. Você foi pro Egito, pra França, Arábia Saudita, Espanha. Estava tão longe, tão avulso que acostumei com essa falta de. Buscava cores, razões, motivos em coisas pequenas, mas as emoções: nada. Conheci gente nova, ri de novo, fiquei de bem com a vida, mesmo de vento em poupa, situação estável, estava aqui, só por estar, oca-fofa-balofa. Você estava aos poucos esfriando, eu esquecendo o mundo mudando o tempo passando.

Um dia estava tão certa de que não voltaria mais que parei de checar meus e-mails, olhar minha caixa de correio, e de repente você chega, entra sem bater na porta e diz que chegou-chegando! Meu coração se aquece, dispara, enlouquece, pega fogo. Me abraçou forte, mostrando presença, bem você, como se dissesse, olha: isso é pra te lembrar que eu tô aqui, bem aqui ó, e ai dentro de você, bem ai.

E, bom, quando você chegou e falou comigo, você mexeu a estrutura, curto-circuito interno, problema nas fiações. Levei aquele encontro a sério demais, e você conseguiu de novo, talvez diga. Acreditei em cada faísca que o contato com sua pele tornou chama, fogo, brasa viva. Olhei teus olhos de palavras simples, promessas fáceis, vi tanto amor, tanta luz que resolvi acreditar nos centímetros que faltavam naquele espacinho apertado entre seus braços e eu. Em cada segundo de nervosismo meu, em cada palavra sem nexo e em cada sorriso-bobo-e-descontrolado-de-quem-tá-amando que eu não consegui conter.

E eu sentia que era sério, convidei os amigos, falei pra eles do jeito desajeitado com que você me falava das maravilhas que conheceu nas viagens, e eles riam ah, como eles riem de você todo bobo e eu toda sem jeito. Preparei tudo, enfeitei a casa, arrumei flores. Mas você sumiu sabe, sem carta, bilhete, telefonema. Você sim-ples-men-te desaparece. E deixa um cartão com a foto de mais um país, um ponto turístico, Londres, Paris, NY, i don’t know, e deixa no verso com sua letra fan-tás-ti-ca, você ainda me ama, my dear, vou pro mar e quando voltar cê vai tá aqui baby, esperando me ver chegar.

E fiquei tão mal por um tempinho, três segundos? Cê tá é louco Heitor, quer fugir, foge, tem medo; não sabe os passos, não entra na dança; tá com medo de se molhar, não vem pra chuva. Mas não se esquiva, não sem argumento cara, tão te chamando de covarde por aqui. Mas eu não, eu entendo você, entendo&espero, e sei que isso é típico seu, sua cara. Só tem uma coisa presa, um nó na garganta, pergunta incucada, cê mal chegou já vai pro mar? Aqui tem cama, café, teto e afeto. Quer mais o quê, cara?

Com amor,

Marjorie.

Taynná Chaves

Temporada das flores

Para Rayra Gonzaga

Um sorriso se abre em meus lábios, uma lágrima se alimenta e cai, do lado esquerdo palpitações, e uma luz que vai de dentro pra fora de mim, de entre nós dois, eu e ele. Uma temporada nova, de luz, de paz, de amor, começa a chegar tão perto que me atinge e me afeta. Algo me leva pela primeira vez a querer – com todas as minhas forças - lutar por isso, por essa força que me faz sorrir quando lembro de.
Não quero fingir que não sei de nada, não quero dizer que não corro perigo, sei que corro, eu sei, ele sabe, você sabe, todo mundo sabe. Não quero manipular – pelo menos, não desta vez - meu coração, meus desejos; talvez seja a hora de deixá-los crescer, desabrochar, sair pra ver o mundo, conhecer o amor. Tenho achado muito bonita a vista aqui de cima, talvez você tenha mudado meus gostos. Flores, vento, música, mar, poesia. Cores vivas.
Acho que gosto de você mais que gostava ontem, pois sim, isso não vai ser pra sempre, acho que quero você, tipo, nesse-exato-momento-agora. Depois fica tudo tão longe, adulto e mudado. Se não for agora, talvez nunca mais será.
Uma nota ecoa pelo ar, borboleta se metamorfoseando, sorriso se abrindo, olhos se fechando, sei que se não me segurar, provavelmente flutuo, você poderia me ajudar? Botões se rompem, tropeço em nuvens, acerto as flores, rosas vermelhas festejam a chegada – dele. Acho que te amo, digo, não sei, posso estar enganada. Eu sei, ele sabe, você sabe, todo mundo sabe que não estarei pronta a tempo, talvez me atrase um pouco, só me espere, estou chegando com flores, preparando o corpo e alma pras flores, e quando ouvir alguém falar no meu nome eu te juro que pode acreditar nos rumores.
Taynná Chaves

3 de agosto de 2010

Um risco, um gesto, um passo, rio afora

Tentei te achar em algum lugar dentro ou fora de mim, percebi que era inevitável não estar sentindo nada vendo essa cadeira desocupada. Desesperei? Não hoje. Não consegui raciocinar direito, perdi a linha do pensamento. Não dói, você não estar aqui não faz falta, não ligo, não te procuro, não mando cartas, a vida me trouxe um buquê de flores e deixou ao pé da escada.
Não sei se te escrevo acho que já deu em verso ou se te digo que não me importo em prosa, não houve nem haverá nenhuma prova, quando acontece tem que acontecer, não importa como ou quem é você.
Um coração se aprte e noutro lugar uma vida começa, é assim que acontece, há dois lados - em tudo.
Sua felicidade é inteiramente independente da minha e eu não quero minhas vidraças escancaradas só pra te ver passar, prefiro que as veja assim: empoeiradas. Porque o vento e o pó são apenas lá fora, aqui dentro tudo continua muito limpo, meus jardins coloridos, meu sol, meu mar, na mais perfeita harmonia, azul-celeste, vermelho-púrpura, sorriso na cara. Eu canto, eu pulo, eu danço. Tenho 7 e outras mil cores, as ondas batem no meu portão e quebram ao pé da porta, a lua vai dançar na praia quando é de noite. De dia os pássaros cantam, vou pra janele e é o mar que me acolhe. O sol desperta meus olhos, levanto meus braços, bocejo e agradeço: Viva, viva, viva. A lua foi embora e estou viva.
Depois da chuva Deus manda flores. E as que Ele mandou são inadjetiváveis, estou ótima, viva, mais limpa do que nunca, zen, em paz em amor. Obrigada, Senhor. Olho pras flores e penso: amanhã te compro um vaso.
Hoje não. Amanhã.
Taynná Chaves