14 de julho de 2011

Aconteceu sem um sino pra tocar

I remember, sempre que lembrava algo luminoso e simples: você chegava à mente. Não assim, como hoje: nessa proporção toda, mas tão luminoso&simples&belo quanto antes. E foi assim simples e se não nos conhecesse bem, pecaria em dizer que foi quase do nada. Não sei quando mudou ou quando aconteceu, não sei qual o primeiro balão de fala nem o último ponto, o final.

Mãos e braços e uma ampulheta descoordenada que era sua, controlando o tempo – ou descontrolando-o. De repente nossos olhos se abrem, um vidro se quebra, dedos estralam, borboletas esvoaçando pelo estômago and: clack! descobrimos. As mãos suando, as palavras faltando, as pernas sem forças, o corpo sem base. Tudo se turva e se enleia, e qualquer fio de náilon é espesso demais pra compreender a fragilidade daquele momento, instante único, segundo esplêndido: o-momento-onde-se-descobre-quê. E as borboletas então se aproximam, é a migração, anos-luz o coração se corroendo por lagartas de situações passadas que agora saem lindas e de todas as cores de seus casulos: borboletas preenchem o estômago e pintam de todas as cores os sorrisos e nos olhos todas as estrelas mais brilhantes e arco-íris nascendo de ponta a ponta no horizonte interior. E nem vento passa nem chuva cai, nem pássaro sobrevoa nem pessoas falam, tudo para. Espera espera espera. E depois de tanto contemplar aquele jardim completo na face, suspira e as ondas quebram e o sol se põe, e vem o primeiro luar e não é mais uma lua banhada por maresia duvidosa. Você vem e me chega e me invade com um sorriso e começa a segunda fase: durante. Nem antes nem depois: Du-ran-te. E que dure, que seja lindo. Que seja doce. Que os anjos digam, em alto e bom som, Amém!

Param, os pensamentos param, o coração para, everybody quiet , everything stop(e como naquela Pequena Epifania do Caio): ‘Clack! como se fosse verdade, um beijo’.

Então o primeiro sino começa a badalar. O coração a pulsar: firme, forte e cheio. Borboletas de todas as cores esvoaçando: dentro, fora.

Taynná Chaves

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